
História da Fisioterapia
História da Fisioterapia no Mundo Ocidental
Na área da saúde, foi a partir do final do século XIX que a Fisioterapia iniciou o seu firmamento como profissão. Inicialmente, influenciada pela Enfermagem e Medicina, a Fisioterapia tinha como linha de atuação principal a reabilitação, porém com o decorrer dos anos e o desenvolvimento das discussões acerca do campo da saúde e da Fisioterapia, essa profissão, hoje, dialoga tanto com a questão de reabilitação quanto com a questão de promoção e prevenção da saúde dentro dos ambientes da saúde privada e pública.
Em seus primeiros passos a Fisioterapia estava ligada aos conhecimentos relacionados as técnicas de massagem. Entretanto, no século XIX, a massagem tinha uma conotação negativa dentro da sociedade, sobretudo a britânica, pois era associada a prostituição e ao prazer sexual. Com o intuito de reverter o estigma sobre a massagem, o British Medical Journal (BMJ) recomendou, em seus escritos, a instituição de uma associação que subsidiasse a formação de massagistas. Para receber a certificação do curso, eram avaliadas as competências das profissionais (eram principalmente mulheres que faziam o curso) na área. Esta recomendação serviu como incentivo para que três enfermeiras, Rosalind Paget, Lucy Robinson e Margaret Palmer, e a parteira Elisabeth Anne Manley fundassem, em dezembro de 1894, em Londres, a Society of Trained Masseuses (STM). ¹ Em 1943, após a incorporação dos conhecimentos técnicos e científicos da enfermagem, a STM tornou-se a Sociedade de Fisioterapeutas Formados. Os profissionais formados nessa sociedade mesclavam os princípios teóricos e práticos do campo da massagem aos conhecimentos do estudo de anatomia e fisiologia da medicina.
Com o acontecimento da I e II Guerra Mundial entre os anos de 1914 a 1945, o cenário envolvendo a Fisioterapia mudou. Devido as sequelas físicas e neurológicas relacionadas aos efeitos da guerra, a necessidade de profissionais que trabalhassem com a questão da reabilitação cresceu em todo o mundo. A consolidação da reabilitação física como base fundamental da fisioterapia ocorreu na América, principalmente nos Estados Unidos da América (EUA), por meio da criação da entidade denominada Mulheres Auxiliares dos Cuidados Médicos. Posteriormente, esta foi designada somente como Auxiliares em Reabilitação. Nesta época, já existiam Cursos de Fisioterapia na Inglaterra e França, porém, foi nos EUA que a profissão alcançou maior visibilidade, devido à necessidade de profissionais para auxílio na recuperação dos combatentes de guerra com deficit físicos,¹ como já mencionado.

História da Fisioterapia no Brasil

Formatura das primeiras turmas de Fisioterapia e Terapia Ocupacional no Brasil.
Se no mundo em geral, os efeitos da Guerra foram os propulsores para o desenvolvimento da Fisioterapia como profissão, e em primeiro momento relacionada a reabilitação, no Brasil as epidemias de poliomelite no século XX tiveram um papel central na criação da primeira instituição formadora de fisioterapeutas no país, a Escola de Reabilitação do Rio de Janeiro (ERRJ).
Pode-se dizer que o início da prática da Fisioterapia no Brasil se deu no ano de 1919 com a fundação do Departamento de Eletricidade Médica pelo Professor Raphael de Barros da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Posteriormente, em 1929, o médico Dr. Waldo Rolim de Moraes instalou o serviço de Fisioterapia do Instituto do Radium Arnaldo Vieira de Carvalho no local do Hospital Central da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.² Em 1951, Rolim fundou o primeiro Curso de Fisioterapia do Brasil, patrocinado pelo centro de estudos Raphael de Barros, cujo objetivo era formar técnicos em fisioterapia. Suas instalações se concentravam no Instituto Central do Hospital das Clínicas e as aulas eram ministradas pelo corpo docente e médicos do próprio hospital.²
Porém, até 1969, a profissão de fisioterapeuta era exercida sem regulamentação. O reconhecimento legal da autonomia profissional ocorreu por meio do Decreto-Lei n° 938/69, que em 13 de outubro de 1969 criou as profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. A partir desse decreto o curso referente a profissão de terapeuta e a própria atuação do profissional no mercado passaram a ser regulamentados. Essa legislação, além de prover sobre as profissões de fisioterapeuta e terapeuta ocupacional, reconhecendo-os como profissionais de nível superior, também especificou atividades de direção de serviços, assessoria técnica, exercício do magistério, supervisão de profissionais e alunos e, dentre outras questões, incluiu as categorias como profissões liberais no quadro de atividades e profissões anexo à Consolidação das Leis do Trabalho. Dessa forma, a própria legislação promoveu uma ampliação da área de atuação, reconhecendo a autonomia desses profissionais que, de auxiliares médicos, passaram a ser responsáveis pela instituição das ações que envolvem métodos e técnicas específicos da Fisioterapia.³
Em 17 de dezembro de 1975, a Lei n° 6.316 cria o Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – COFFITO e os Conselhos Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional – CREFITOs, órgãos de fiscalização do exercício profissional, que resulta na organização e fortalecimento da categoria profissional na luta pelo crescimento e reconhecimento da profissão, ampliando o campo de ação profissional.³
Vale ressaltar, que antes dessa legislação que regulamentou o curso de Fisioterapia, a grade curricular e o tempo de duração desse curso passaram por diversas mudanças como desde dois anos de duração, passando por três anos e chegando até quatro anos de duração. Contudo, a grade curricular do curso, ainda nesse período de mudanças, consistia no ensino de matérias mais voltadas para a manutenção do modelo biomédico e de reabilitação. Com os esforços e discussões realizadas pelas Organização Panamericana de Saúde (OPAS), Organização Mundial de Saúde (OMS) e a World Confederation for Physical Therapy (WCPT), os cursos de fisioterapia passaram a incorporar em seus currículos os estudos de sociologia, saúde pública e as noções de promoção e prevenção da saúde.
Atualmente, a profissão de Fisioterapeuta ainda compartilha seu conselho com a profissão de Terapeuta Ocupacional e o curso de graduação tem duração de 4 mil horas e limite mínimo para integralização de cinco anos de estudos, conforme a Resolução CNES 4/2009. Suas Diretrizes Curriculares foram instituídas pela Resolução CNE/CES 4/2002. 4;5
Referências Bibliográficas
¹ESPÍNDOLA, Daniela Simone; BORENSTEIN, Evolução Histórica da Fisioterapia: da massagem ao reconhecimento profissional. (1894 – 2010). Fisioterapia Brasil, v. 12, n 05, p. 389-394, set./out. 2011. Disponível em:< https://www.faculdadeguararapes.edu.br/site/downloads/Fisioterapia_set%20a%20out%202011v12n5.pdf#page=70>.
²MARQUES, Amélia Pasqual; SANCHES, Eugênio Lopes. Origem e evolução da fisioterapia: aspectos históricos e legais. Revista Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, v.1, n.1, p 05-10, jul./dez. 1994. Disponível em:< http://www.periodicos.usp.br/fpusp/article/view/75027/78586>.
³ANDRADE, Armèle Dornelas; LEMOS, Jadir Camargo; DALL'AGO, Pedro. Fisioterapia. In: BRASIL. Ministério da Educação; Ministério da Saúde. A trajetória dos cursos de graduação na saúde 1991-2004. Brasília, p. 201-241, Abr, 2006.
4BRASIL. Resoluções CNE/ CES. Resolução 4, de 6 de abril de 2009. Dispõe sobre carga horária mínima e procedimentos relativos à integralização e duração dos cursos de graduação em Biomedicina, Ciências Biológicas, Educação Física, Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição e Terapia Ocupacional, bacharelados, na modalidade presencial. Disponível em:< http://www.crefito2.gov.br/fisioterapia/instituicoes-de-ensino/crefito2/legislacao/resolucoes-cne-ces/resolucao-4,-de-6-de-abril-de-2009-257.html>.
5BRASIL. Resoluções CNE/ CES. Resolução 4, de 19 de fevereiro de 2002. Institui Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Fisioterapia. Disponível em:< http://www.crefito2.gov.br/fisioterapia/instituicoes-de-ensino/crefito2/legislacao/resolucoes-cne-ces/resolucao-4,-de-19-de-fevereiro-de-2002-62.html>.